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 Sobre vossa excelência, o arcebispo

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Papa Kumpa
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MensagemAssunto: Sobre vossa excelência, o arcebispo   Sab 31 Jan 2009, 19:36

O jovem se aproximava de um homem mais velho que tocava a suite n° 5 de Bach em um violoncelo branco, o jovem já havia quebrado alguns braços e causado algumas fraturas expostas em sua vida e podia afirmar que aquele instrumento era feito de ossos, ainda mais sabendo quem era o seu dono, a sonoridade era um pouco fúnebre e lamuriosa mas realmente bela. O homem com o instrumento estava no palco, o bar ainda não estava aberto e as cadeiras ainda estavam em cima das mesas, o jovem puxa uma das cadeiras e se senta próximo ao palco observando o outro tocar.

O violoncelista termina o prelúdio e adentra o Allemande, ele começa a falar enquanto continuava a dedilhar o instrumento e manejar o arco habilmente.

- Você tem perguntado por ai sobre o arcebispo, se os boatos são verdadeiros e se aquele mumbo jumbo dele é real. Com esse tipo de indagação você não vai sobreviver por muito tempo.

O jovem se mostra frustrado diante disso, cada um na cidade havia lhe contado uma historia diferente e aparentemente aquele homem diante dele era o único que poderia saber a verdade. Ele não estava disposto a desistir e iria continuar mesmo assim, estava realmente curioso sobre o assunto e reuniu coragem, ou quem sabe audácia, de perguntar. No entanto antes de abrir a boca o velho o interrompeu, após alguns momentos de calado ele voltava a falar, dessa vez adentrava no Courante .

- Eu o conheci em New Orleans em 1907, tinha acabado de chegar da europa e ele era o arcebispo da cidade na época, tive as mesmas duvidas que você tem agora, mas depois de procurar um pouco quem veio ao meu encontro para saciá-las foi o próprio Papa Kumpa. Eu fui para aquela cidade pela música, ouvi dizer que havia um novo estilo nascendo por lá e estava curioso, era o inicio do jazz. Não estava acostumado com esse tipo de música e comecei a buscar suas origens enquanto procurava saber sobre Papa Kumpa. Foram dois caminhos que me levaram ao mesmo lugar, Congo-Square, onde ele praticava seu voodoo. Acabei chamando sua atenção e ele veio até mim, tão curioso por mim quanto eu por ele. Ele não entendia porque um vampiro do velho mundo estava interessado nos rítimos dele, expliquei-lhe os meus motivos e contei a minha historia pra ele, em troca ele me explicou o que eu precisava para entender o jazz e dividiu comigo a sua historia.

A mente do jovem começa a imaginar sobre o passado do homem a sua frente, ele era tão misterioso quanto o proprio arcebispo e havia rumores de que ele era ainda mais velho que Papa Kumpa. O homem no palco começou a sarabanda e voltou a falar.

- Não é por minha causa que você está aqui criança. Voltando ao Papa, pelo que ele me contou ele imigrou de Saint-Domingue no Haiti para New Orleans em 1809, aparentemente ele já era um houngan experiente, pois ele vem de uma família com tradição nesse tipo de coisa, ele era um negro livre e ainda era humano. Ele e outros que vieram com ele começaram a praticar o voodoo na cidade e conseguiram muitos seguidores. Ele usava o nome Jacques Paris, não sei se era seu nome verdadeiro, se apaixonou por uma mulher chamada Marie Laveau e se casou com ela em 1919, segundo ele a garota tinha talento. No ano seguinte um homem começou a freqüentar o templo do Papa, mas ele apenas observava os rituais. O homem começou a aparecer em outros lugares que o Papa freqüentava, achando aquilo muito estranho nosso arcebispo ameaçou o homem misterioso, disse que ele poderia morrer se continuasse a segui-lo. O homem riu e disse que era capaz de trapacear a morte, ai foi a vez do papa rir dizendo que ninguém escapa da morte, eles entraram em discussões filosóficas e religiosas até que o homem propôs um desafio, ele tentaria provar que trapaceava a morte e o papa tentaria provar que isso era impossível. O homem teve sua tentativa primeiro, já que se o papa estivesse certo ele não teria essa oportunidade depois. Acontece que o homem era um vampiro, um malkaviano, e ele achava esse negocio de voodoo divertido. Ele abraçou o papa acreditando que assim provaria ser era maior que a morte. O papa me descreveu seu abraço como ter se tornado um deus por um segundo, ele disse que nesse pequeno espaço de tempo ele teve consciência de tudo somente para se esquecer no momento seguinte, mas que de vez em quando tem alguns flashbacks desse momento. O malkaviano o largou no chão e foi embora provavelmente acreditando que tinha vencido a disputa. O papa disse que acordou com um cheiro muito forte de rum e pimenta, ao se levantar ele encontrou um pirata, segundo ele era um desses espíritos do voodoo, um loa, desde que ele foi abraçado ele diz que conversa com esse pirata, se você escutar ele falando com algum "barão" é esse o “cara”. Bom foi o barão que conversou com ele e explicou o que ele era agora, o papa então perguntou se ele tinha realmente trapaceado a morte, o pirata riu, dizendo que ninguém o enganava e sumiu. O Papa foi atrás do seu criador, agora era a vez dele, o encontrou em Baton Rouge, capital da Louisiana. Quando finalmente se reencontraram o malkaviano disse que havia vencido e que o papa agora deveria obedece-lo, papa disse que não tinha tido sua oportunidade de provar que a morte era certa, o malkaviano deixou que ele tentasse, o papa disse que o faria e foi embora. Ele não me disse o que ele fez, disse apenas que seu criador o procurou alguns dias depois em um estado deplorável. Estava apodrecendo, os vermes estavam comendo sua carne e ele não podia fazer nada, estava pior que um nosferatu na chuva, o papa apenas observou enquanto ele entrava em torpor na sua frente e achou que ele estava morto, foi quando o barão apareceu novamente e disse que ele deveria beber do sangue do malkaviano e só assim ele iria morrer, foi o que o papa fez...

O homem mais velho fica em silêncio ao terminar a sarabanda e entrar na primeira gavotte, o jovem observa seus movimentos atentamente esperando que ele recomece a historia.

- Do jeito que eu falei parece essa brincadeira dos dois foi rápida, mas na verdade levou sete anos e quando o papa voltou para New Orleans sua pequena se achava viúva e tinha arranjado outro, e aliás, eles procriaram feito coelhos. Mesmo sabendo que sua vida estava arruinada ele voltou pra ela fingindo ser outra pessoa e a guiou nos caminhos do voodoo. Ele a convenceu dizendo que assim ela poderia alcançar os mortos, inclusive o falecido Jacques Paris. Uma coisa que se pode dizer sobre o papa é que ele é bom nesse negócio de voodoo, eu diria o melhor. O que eu quero dizer é que existiam, naquela época, varias rainhas do voodoo em New Orleans, mas Marie Laveau não seriam apenas mais uma delas, não sob a tutela do papa. As rainhas brigavam pelo domínio de Congo-square aos domingos e das cerimônias no lago Pontchartrain, mas quando Marie Laveu decidiu que seria a rainha, todas as outras caíram. O papa disse que a garota tinha talento quando a conheceu e era verdade, ela alem de se tornar uma mambo poderosa ela sabia como fazer um show e logo-logo toda a cidade a reconhecia como rainha, os políticos pagavam grandes quantias por seus feitiços para ganhar uma eleição enquanto outros, menos abastados, pagavam por um simples feitiço de amor e para os negros ela fazia de graça. Por volta de 1935 ela era a mulher mais influente na cidade e o papa por trás tinha se tornado o vampiro mais influente da cidade. A essa altura o segundo marido de Marie, com quem ela teve 15 filhos, estava morto e o papa tinha se revelado para ela e para sua surpresa ela já havia descoberto.

O homem com o cello já havia entrado no segundo gavotte e agora voltava ao primeiro, dessa vez ele não fez nenhuma interrupção na sua fala. O jovem na cadeira não percebeu as mudanças de movimento.

- É agora que as historia fica interessante o papa havia encontrado alguns vampiros até aquele momento mas ele não tinha nenhuma filiação com a camarilla ou com o sabá, New Orleans era um território disputado pelas duas seitas e o papa era o vampiro mais influente da cidade, entende onde eu quero chegar? Todo mundo queria o papa para si, tanto o príncipe quanto o arcebispo tentaram recruta-lo. O príncipe e o arcebispo fizeram suas ofertas e jogadas, o papa não quis o príncipe, ele anglo-americano demais enquanto o papa era um negro livre, a camarilla também não o agradou. Com o arcebispo foi diferente, o papa gostou do sabá, não sei se por causa dos ideais ou da ritualística, o fato é que ele gostou. Mas não estava disposto a fazer parte dos jogos e caprichos de outros cainitas, talvez por isso ele tenha escolhido o sabá, e a cidade era realmente dele então logo ao entrar para a seita ele se autodeclarou arcebispo de New Orleans expulsando a camarilla e todos que fossem contra. Não foi difícil, como eu disse a cidade era dele. O arcebispo, o príncipe, a primigenie sofreram diablerie pelos bandos da cidade, outros foram estacados e deixados ao sol pelos seguidores do papa. Marie se aposentou em 1869 e faleceu em 1891. Uma de suas filhas, Marie Laveau II, continuou com o legado da mãe quando ela se aposentou, ela não era tão boa como a mãe, apesar de saber manter um show como ela. A carreira da filha terminou com a morte da mãe, pois o papa estava agora ocupado com o sabá e não deu o apoio que a filha precisava. Você pode pensar que com a morte de Marie a influência do voodoo e do papa na cidade diminuiria, mas o que aconteceu foi justamente ao contrario, a mulher virou um mito. Sua cripta no cemitério St. Louis passou a servir como lugar de oferendas e rituais, dizem que até hoje o espírito dela ronda o cemitério e atende aos pedidos.

O homem termina novamente o segundo gavotte e passa para o último movimento da suíte, o Gique. Dessa vez ele interrompe a historia na mudança. O jovem está imerso pela música no conto, ele já não se move há algum tempo.

- Essa é a parte que eu entro na historia, como eu já disse cheguei na cidade em 1907, ele já estava estabelecido como arcebispo e também já disse como nos conhecemos. Estabeleci-me na cidade e por ter a confiança do papa acabei por me tornar um de seus bispos. Por volta de 1966 ele estava cansado de New Orleans, aparentemente as coisas não eram como no século anterior. O papa decidiu deixar a cidade para expandir suas crenças, tanto o voodoo como o sabá, para outros lugares. Ele pediu que eu o acompanhasse até New York e eu pensei “bem porque não?”. Acontece que New York é da camarilla há um bom tempo, uma coisa é tirar a camarilla de uma cidade onde você manda, outra é expulsar ela de uma cidade onde ela manda. Resolvemos nós estabelecer pelas redondezas, Newark era território anarquista, esse tipo de cidade é cheio de cainitas com raiva esperando que alguém a direcione, o que o papa fez foi dar-lhes uma direção. Novamente eu estou fazendo as coisas parecerem fáceis, o papa realmente deu uma direção para a cidade mas não sem uma pequena guerra. Entre 12 e 16 de julho de 1967 a cidade sangrou resultando em diversas mortes, feridos, prejuízos a cidade e a diversos estabelecimentos que foram queimados e destruídos, a maioria nunca chegou a reabrir. Mas não se pode fazer um omelete sem quebrar alguns ovos certo?. Desde então o progresso de Newark é questionado, dizem que “onde quer que as cidades americanas estejam indo, Newark vai chegar lá primeiro”. Só depois disso que o papa conseguiu instalar o sabá na cidade. Alguns meses depois um grupo de serpentes da luz chegou na cidade liderados por uma mulher, Aisha, vieram para cá por causa do papa e junto com ele construíram a Maison Noire, para praticar o voodoo a única coisa que traz esperança e conforto espiritual para a cidade desde então. Eu abri esse bar aqui eu posso tocar a minha música e os outros cainitas podem se divertir como quiserem, dei o nome de Santeria ao lugar, mas o papa não gostou muito da brincadeira.

A suite termina e uma das cordas do cello arrebenta, era a mais fina, e o homem que não estava nem um pouco feliz com isso começa a resmungar enquanto guarda o cello no case.
- Merda! Lá se vai Scarlet. Vá embora garoto! Não tenho mais nada a dizer.

O jovem tenta ainda dizer alguma coisa mas o homem lhe lança um olhar impaciente e a única coisa que ele pensa em fazer é ir embora, ainda que a historia tenha lhe trago mais perguntas do que respostas.

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I am the colour of audacity,
Of rhythmic tribal dance, of tropic love;
I am that tint released upon the air
When cymbals kiss, or comets meet alone.
I am the blood of harlequin,
the pulse of all things riotous and fleet.
A deal of me and you have carnival;
A little - and the heart must skip a beat!
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